Por que escrever um Blog?

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Jung nos deu uma grande dica quando escreveu que no processo analítico, “(…) ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana”. Aqui eu cito Jung não apenas pela frase que me toca, mas também porque, em seu início, não concebeu sua teoria para contradizer Freud, mas para complementá-lo. Não que entendesse que as ideias de seu “mentor” fossem completamente erradas, mas porque entendia ser necessário aprofundar mais em determinados aspectos.

Nesses anos – poucos, mas intensos – em que tenho estudado Psicologia, tenho visto meus professores, raras exceções, polarizarem em prol da teoria que estudaram: “os behavioristas tratam o ser humano como máquina” ou “psicanálise fala muito e não tem resultados palpáveis” ou ainda “Claro! A TCC faz mágica e cura as pessoas em 20 sessões”, dentre muitas outras. Toma-se um aspecto – por vezes positivo – da abordagem e o converte em razão para descrédito. Como se o tornar a outra teoria errada magicamente tornasse a minha mais correta.

Como uma grande maioria dos recém chegados à Psicologia, entendia que ser psicólogo era ser freudiano. Aos poucos, estudando, me desiludi um pouco e me aproximei do behaviorismo, que era interessante, mas, mais uma vez, posições extremistas me fizeram afastar. Depois veio a Psicologia Analítica, e a Teoria Cognitiva Comportamental – TCC. Ah, e a neuropsicologia, não esqueçamos! Sempre lá e cá. Sempre me encantando com alguns aspectos e me desiludindo com outros.

Em dado momento, porém, algo começou a surgir. Tímido, mas forte. A neuropsicologia, por exemplo, falando sobre as funções executivas, nos mostra que a categorização é própria do cérebro. As nossas vivências nos provêm experiências que nos permitem categorizar tudo o que temos contato. Ora, isso guarda muitas semelhanças com a ideia de esquemas mentais de Piaget, que, por sua vez, guarda muitas semelhanças com os conceitos de arquétipos de Jung – sendo estes mais ampliados. Estes últimos poderiam ser entendidos como as crenças centrais da teoria cognitiva. E isso tudo, mais ainda, remontando ao mundo das ideias de Platão. Os nomes mudando, as teorias se aprofundando, mas tudo falando do mesmo, com as mesmas raízes profundas, se utilizando de ferramentas especializadas para fazer esse trabalho de escrutínio da alma humana.

É dessa percepção que surge esse Blog. Desse entender que, para que possamos lidar com o sujeito, temos, sim, que conhecer as teorias. Não apenas aquelas com as quais temos afinidade, mas ter contato com todas as ferramentas que possam nos ajudar. Tecer conexões, traçar similaridades, forjar links, conectar o pensamento, as ideias.

Como o herói em sua jornada, que esse “diário de aventuras no mundo da Psicologia” possa, se não nos prover a força para seguir esse caminho, ao menos nos facilite desenvolver a compreensão de que temos que ter à mão todas as ferramentas, mas que, no final, somos apenas uma alma humana nos relacionando com outra alma humana.

Esperamos que vocês se divirtam lendo assim como nós nos divertimos constantemente postando.

Um abraço a todos e bem vindos!

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