Behaviorismo I – behaviorismo metodológico

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Antes de começarmos, vamos deixar claro uma coisa: isso não é um artigo sobre behaviorismo. Nossa intenção é tão somente dar uma ideia geral do conceito para aqueles que se interessam pelo tema da Psicologia. Se após essa degustação você quiser saber mais sobre o assunto, encorajamos que leia o livro de Skinner que é referenciado no final desse post. Ah, e antes que eu me esqueça, obrigado ao amigo Ivan Magalhães pela revisão deste texto. Espero que queria postar logo! Disto isto, vamos lá!

No século XIX, seguindo Descartes, a ciência entendeu que o comportamento poderia ser iniciado por uma ação externa. Hoje isso pode nos parecer estranho, mas se pensarmos na mente de um cientista de então, as coisas até fazem sentido. Pensem bem, se a cauda amputada de uma salamandra podia se mover se tocada ou perfurada, seria esse comportamento diferente daquele feito pela própria salamandra quando queria mover sua cauda? Lembrem-se, havia uma ideia naquela época de que tudo deveria ser explicado pela ciência, e ciência era a matemática, a física… Tudo deveria ser causa e consequência. Seguindo esse pensamento – e outros fortes na psicologia da época, a psicologia experimental – Watson criou sua forma de estudo do comportamento – behaviorismo vem de “behavior”, que em inglês significa comportamento. Watson tinha uma visão bem adequada à época: cientificista e mecanicista. Na sua opinião, não era preciso recorrer ao que acontecia dentro do sujeito para explicar seu comportamento. Bastaria saber qual o estímulo (S) que antecedeu a ação (R) e pronto! Comportamento explicado. Era a psicologia S-R – estímulo x resposta. Nesse tipo de interpretação, um comportamento é uma interação entre o indivíduo e o ambiente em que se encontra em que um estímulo antecedente elicia uma resposta pelo organismo.

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fonte: Google Images

Ivan Pavlov (1849-1936), um fisiologista russo, contemporâneo de Watson seguiu por essa linha de explicação quando percebeu que seus cachorros salivavam quando ouviam uma campainha. Para ele, houve um pareamento no tempo entre um estímulo incondicionado – a comida – que fazia o cachorro ter a resposta de salivar e um estímulo nulo – no caso, a campainha. Com isso, o estímulo passou a ser condicionado. O cachorro associou a campainha à comida e, por isso, apresentava para ambos a mesma resposta.

Resumidamente, podemos dizer que para o behaviorismo metodológico, há um condicionamento, processo através do qual produz-se um reflexo condicionado através do pareamento entre um estímulo incondicionado e um estímulo inicialmente neutro que se torna, posteriormente condicionado. O importante é que aqui, a resposta não muda. Apenas muda o estímulo que a elicia.

Ainda hoje, em casos extremos, podemos ver o condicionamento pavloviano – em casos de combate à incêndio, por exemplo, apesar de haver muito conhecimento teórico em campo, alguns procedimentos são treinados à exaustão até tornarem-se automáticos. A situação problema torna-se um estímulo que elicia uma resposta no profissional.

Freud x Skinner
Skinner – Fonte: Google Images

Ocorre que os cientistas começaram a perceber que aquela teoria, apesar de aplicável em certos casos, não poderia ser aplicada em todos. Além disso, havia uma redução do homem à uma “simples” máquina que se comportava automaticamente. Desprezar os fenômenos internos – psíquicos – poderia até simplificar o problema a ser explicado, mas falhava em explicar uma boa parte dos comportamentos humanos. Surgiam, por todo lado, críticas, pois não se sabia se os pensamentos poderiam causar os comportamentos ou seriam destes consequências. Nesse ponto da história, surge Skinner, que propõe uma abordagem que ele chamou de “radical” – no sentido de tentar chegar à raiz do comportamento. Por sua filosofia, o pensamento não era algo que deveria ser desprezado, mas parte do comportamento que precisa ser explicado. Com Skinner, o behaviorismo (agora behaviorismo radical) deu um enorme passo adiante… mas sobre isso, falaremos no nosso próximo post.

 

REFERÊNCIAS

SKINNER, Burrhus Frederic. CIÊNCIA E COMPORTAMENTO HUMANO; tradução João Carlos Todorov, Rodolfo Azzi. 11a ed. — São Paulo: Martins Fontes, 2003.

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